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    Contra o preconceito e o desrespeito

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    Como as mensagens e fotos contra o fumo nos maços de cigarro te afetam?
     
    O "Estado Babá" e a soberania individual
    Variedades - Artigos
    Escrito por Yves Quadros   

    Nunca se teve uma população educada tão preocupada com a própria saúde e estética como a contemporânea -- que, por vezes, beira a hipocondria. Entretanto, se mesmo informados e cientes dos riscos e consequências de suas ações, indivíduos estiverem dispostos a consumir determinadas substâncias ou praticar atos de violência contra a própria saúde, é papel do Estado intervir?

    Para David Harsanyi, autor do livro "O Estado Babá - Como radicais, bons samaritanos, moralistas e outros burocratas cabeças-duras tentam infantilizar a sociedade", lançado no Brasil pela Editora Lotteris em março, não é dever do Estado proteger as pessoas de si próprias: "Nós sabemos o que está acontecendo por aí. O que precisamos é de transparência. Temos de saber que fumar faz mal à saúde, mas as decisões devem caber a cada um". E complementa: "Acabar com o risco, é acabar com a liberdade".

    Por "Estado Babá", Harsanyi se refere ao hábito dos governos, cada vez mais frequente, de colocar em prática leis que regem o comportamento e a ética individual, medidas "tapa-buracos" na prevenção de hábitos nocivos, que seriam melhor combatidos por meio de conscientização educativa.

    Quando o Estado vai além das suas obrigações e gasta o dinheiro de seus contribuintes no combate passional ao tabagismo, por exemplo, ainda que fundamentado em boas intenções, abre precedentes para o controle perigoso de outras formas de comportamento, podendo estender-se até mesmo a aspectos morais.

    O fato é que o tabaco é uma droga legal, disponível no comércio, tarifada e com os riscos de seu consumo muito bem assinalados. Graças a medidas socioeducativas e controle responsável de propaganda, o tabagismo tem diminuído no Brasil, cerca de 1% ao ano nos últimos anos. Eram 32% da população em 1989, contra 16,3% em 2009.

    Segundo dados recentes da Organização Mundial de Saúde, a obesidade, o consumo de álcool e condições relacionadas ao sexo desprotegido são as principais causas do óbito prematuro. 60% da população mundial apresenta alguma condição adversa relacionada ao sobrepeso, e, de acordo com o IBGE, mais da metade da população brasileira está acima do peso, enquanto a obesidade aumenta em índices epidêmicos.

    Intolerância oficializada

    Obviamente não se pode justificar os males do tabagismo apontando o dedo para outros problemas com a atitude de quem diz "há coisas piores". O ponto principal nesta questão é a forma desproporcional e inconsequente ao se tratar do tabagismo, criminalizando o fumante e estimulando a intolerância. Enquanto os enormes riscos do consumo constante de alimentos gordurosos, de bebidas alcoólicas e da prática do sexo desprotegido são de fácil acesso, não existem medidas relevantes em prática para estimular a mudança destes hábitos. De fato, as escassas iniciativas de conscientização que gozam de algum apoio governamental são suplantadas facilmente pela propaganda e pelo incentivo fiscal que algumas destas indústrias recebem.

    Ao invés de alertar sobre os riscos e oferecer suporte e ferramentas para o abandono do vício, as novas leis de combate ao fumo estimulam na sociedade um conceito de guerrilha e segregação com o incentivo de discursos de "somos nós contra eles". Apesar de justificada legalmente por estudos inconclusivos sobre os riscos do fumo passivo, e camuflada como medida de saúde pública, a proibição do fumo em ambientes fechados -- muitas vezes destinados especificamente ao público que fuma -- tem nas engrenagens de seu funcionamento a incitação ao ódio. "Fumantes fedem, são imbecis e desrespeitosos" são algumas das opiniões mais frequentes, agora alimentadas por medidas legislativas que, para muitos, justificam suas afirmações.

    A lei que vigorava até recentemente em muitos estados brasileiros deixava a critério dos proprietários do estabelecimento se era ou não permitido fumar naquele local. Se o público se incomodasse com a fumaça, seria de interesse do proprietário reservar uma área específica ou proibir completamente o fumo. O alcance nefasto da nova legislação sobre os direitos de soberania individual e propriedade privada é tão grande que nem mesmo estabelecimentos cadastrados como tabacarias e clubes de "charuteiros" estão livres das punições previstas, caso prestem serviços adicionais, como servir pratos e bebidas.

    Apelando um pouco para a sofisma, mas não sem tirar a razão do argumento, a primeira campanha moderna contra o fumo ocorreu na Alemanha Nazista, encabeçada por Adolf Hitler. Apesar das (até então novas) descobertas sobre os males do tabagismo, o movimento só foi colocado em prática pelo Führer em decorrência de seus desgostos pessoais e em associação a conceitos ideológicos de higiene racial, uma vez que o fumo era um veneno dos índios contra a "superior raça ariana" e um vício dos negros. Ainda que qualquer comparação ao nazismo seja um exagero, o apoio popular ocorre da mesma forma: através da luta contra um inimigo comum.

    Por outro lado, a passividade dos fumantes brasileiros também impressiona. Na Espanha, onde uma violenta legislação anti-tabaco entrou em vigor no início de 2011, o público não aceitou a decisão apaticamente. Ao contrário, houve manifestações em frente a edifícios do governo e, mesmo sob o risco das punições vigentes, alguns restaurantes de Valência continuaram permitindo a presença de fumantes. Para os proprietários, o prejuízo aos negócios é consideravelmente superior às punições. Em certos bares, onde é popular o consumo de fumos aromatizados em narguilés, uma espécie de cachimbo de água, o movimento de clientes diminuiu mais de 80%.

    Chupetas e mamadeiras

    O fato é que as novas medidas postas em prática falham no seu propósito principal de diminuir o consumo de cigarros, charutos, cachimbos e similares. A tática de causar choque com imagens perturbadoras e afirmações exageradas no verso dos maços é ineficaz ao não fornecer nenhum auxílio ou incentivo. Uma estratégia muito mais honesta e lógica é empregada nas embalagens de cigarros canadenses, onde há panfletos com informações úteis aos que desejam abandonar o hábito.

    Medidas agressivas que restringem o acesso ao produto, como aumento na tarifação, são fiscalmente irresponsáveis e, na prática, ineficazes. Cigarros são produtos economicamente inelásticos, o que significa que mesmo um grande aumento em seu preço resulta em uma insignificante redução de seu consumo. De acordo com a Souza Cruz, a maior fornecedora de cigarros no mercado brasileiro, as barreiras impostas ao consumo do produto legal e tarifado proporcionam mais um elemento de estímulo ao já significante mercado ilegal -- que hoje já atinge a alarmante marca de cerca de 27% do total de cigarros vendidos -- gerando queda na arrecadação, desemprego e aumento na criminalidade ao interferir na sustentabilidade da cadeia produtiva do tabaco, que emprega mais de um milhão de pessoas no Brasil.

    Apesar da guerra contra o fumo ser um fenômeno mundial, cada país trava suas próprias guerrinhas internas. Um filho brasileiro desta mania de proibir e regular é uma lei de 2002 que proíbe as propagandas de mamadeiras e chupetas. Em 2006, mais restrições entraram em vigor, proibindo o uso de imagens de crianças ou ilustrações humanizadas nas embalagens destes produtos. A mesma lei também fez o Ministério da Saúde dar as caras nestas embalagens: "O Ministério da Saúde Adverte: A criança que mama no peito não necessita de mamadeira, bico ou chupeta". Se chupetas e mamadeiras não são mais apropriadas ao público infantil, certamente o Estado Babá, que enxerga a população como uma massa infantilizada e inconsequente, fará bom uso delas.

    Ao mesmo tempo, tramitam projetos de lei que proíbem a comercialização de tocadores de música cujo volume ultrapasse 90 decibéis, que proíbem o uso de notebooks e smartphones em ambientes públicos, que querem proibir o uso de estrangeirismos, e até determinar os livros que as livrarias podem vender. Tramita até mesmo um "toque de recolher" no Congresso Nacional que, se aprovado, obrigaria bares, boates e outros estabelecimentos de entretenimento noturno a fecharem à meia-noite.

    É claro que ninguém em sã consciência advocaria a favor do consumo de cigarros, álcool, alimentos gordurosos ou qualquer outro hábito nocivo, mas iniciativas que infantilizam a sociedade forçando indivíduos a fazer algo estão minando a liberdade. Defender o direito de que outras pessoas fumem, por mais que o cigarro seja um incômodo pessoal e um veneno para o fumante, significa preservar e defender seus próprios direitos. Nada justifica o comprometimento dos direitos individuais e da liberdade, pois esta é mais importante que qualquer problema.

    Um dia vieram e levaram meu vizinho que era judeu.
    Como não sou judeu, não me incomodei.
    No dia seguinte vieram e levaram meu outro vizinho que era comunista.
    Como não sou comunista, não me incomodei.
    No terceiro dia vieram e levaram meu vizinho católico.
    Como não sou católico, não me incomodei.
    No quarto dia, vieram e me levaram;
    já não havia mais ninguém para reclamar.


    Palavras do pastor luterano Martin Niemöller sobre os nazistas, durante a Segunda Guerra Mundial

     

    Comentários 

     
    +3 # Cigarro não causa doenças.luis paulo 06-12-2011 09:27
    Cigarro não causa doenças. Leiam.

    a) Processo nr. 583.00.1995.523167-5. Leiam. É publico, da Justiça paulista, 19 vara civel. Ali os médicos, comprovam, que cigarro não causa doenças. Não existe relação de cancer, com o ato de fumar.

    b) Desembargador Walter Xavier, negou indenização a ex fumantes, pelo simples fato de que, não existe nada que comprove que fumar causa doenças, inclusive, na TV JUSTIÇA, ele fala claramente, que ninguem pode culpar o cigarro por doenças, haja visto que hoje em dia, tudo pode dar cancer.

    Portanto, está mais do que na hora, de pararem com essa bobagem de dizer que cigarro causa doenças, quando os próprios médicos, dizem o contra´rio.
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    0 # A Falta de liberdade e geralRafael 22-08-2012 13:39
    A humanidade sempre sofreu com a falta de liberdade, mas quando percebem que tem liberdade fogem.

    JAM SESSION - O Estado Babá
    http://www.youtube.com/watch?v=OYFuXgcfrN0

    O problema não é proibir uma droga especifica e sim legalizar todas: http://www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=168

    O que é o "politicamente correto"?
    http://www.mises.org.br/EbookChapter.aspx?id=436

    Mas perdem tempo, pois podem substituir temporariamente por RAPÉ.
    Veja como inalar o RAPÉ: http://www.youtube.com/watch?v=add4mYVag3o&feature=relmfu

    Em São Paulo tem essa loja: http://www.rapechic.com.br/

    No exterior: https://mrsnuff.com/

    O Fumo do cachimbo nós achamos, porém o cachimbo moderno feito de vidro, não achamos, só em lojas como essa: http://www.rollies.com/Pipes/Category.php?ITN=48
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    +1 # maravilhoso!!!carla 27-11-2012 18:08
    lutar pelo direito de fumar é igual ao direito de qq coisa. cada um é responsavel por si e esta propaganda idiota de que o meu cigarro mata o meu vizinho é uma propaganda nazista mentirosa
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